Tudo o que você precisa saber (bem explicado) sobre o Hyper-V do Windows Server 8 por Leandro Carvalho

Link do post: http://msmvps.com/blogs/msvirtualization/archive/2011/10/18/tudo-o-que-voc-234-precisa-saber-bem-explicado-sobre-o-hyper-v-do-windows-server-8.aspx

Windows Server 8

Estou devendo este post há algumas semanas, mas demorei um pouco justamente
pra ter certeza que poderia falar (com detalhes) de todas as novidades do
Windows Server 8 sobre virtualização sem ter problemas com o contrato de
confidencialidade dos MVPs (NDA).

Para facilitar na compreensão eu fiz algumas comparações e comentários em
algumas das novidades e as dividí em 4 tópicos: Novos Limites, Storage e Alta
Disponibilidade, Rede e Gerenciamento. Portanto vamos ao que interessa:

Novos Limites:

  • 32 processadores por máquina
    virtual (VM)
    – Atualmente o limite são somente 4
  • 512 GB de memória por
    máquina virtual
    – Limite atual de 64 GB
  • Novo formato de disco
    virtual (VHDX) suportando 16 TB
    – Somente 2 TB hoje
  • 160 processadores lógicos por host – Limite de 64
    processadores no Hyper-V R2
  • Cluster com até 63 nós – No Windows 2008 e 2008 R2 só são
    possíveis 16
  • 400 VMs por nó de cluster – Limite atual de 384

Storage e Alta Disponibilidade:

Novo Live Migration – Hoje basicamente o Live Migration
transfere uma máquina virtual de um host para outro usando o Failover Cluster,
mas mantendo o disco da VM no mesmo lugar, ou seja, na storage. No Hyper-V 3.0 o
único requisito para transferir sua VM é uma conexão de rede, seja ela local ou
remota (num exemplo de um datacenter).

Storage Migration – Agora o cenário é mais complicado: Um
host, várias VMs, sem cluster, disco local. É preciso mover todas as VMs para
outro host o mais rápido possível, pois será preciso fazer uma manutenção neste
host específico. O único problema são as inúmeras VMs que não podem parar. No
Windows 8 poderemos mover toda a estrutura da VM (incluindo os VHDs) para outra
máquina usando a rede e, o melhor, sem downtime! É como se fosse um Live
Migration, mas mais completo. Mas Leandro, e a questão da velocidade para mover,
digamos, 20 VMs rodando do host 1 para o host 2, cada uma com 20 GB? Não
esquenta, não será um problema. Como? Continue lendo e você vai ver o
porque.

Live Migration e Storage Migration ao mesmo tempo – Gostou
dos novos “Migrations” né? O legal é que você poderá iniciar vários ao mesmo
tempo, tendo como limite seu hardware, não esquecendo do Live Migration
Priorization
, onde você pode criar uma prioridade das VMs que devem ser
migradas.

Máquina Virtual no Servidor de Arquivos – Lembra do
protocolo SMB? É, ele mesmo, o velho (42 anos!) protocolo para uso de arquivos
na rede. Pois é, na sua nova versão 2.2 teremos a possibilidade de criar uma VM
e especificar seu disco num diretório na rede. Vamos supor que você precisa
criar uma VM no Host1 e existe um VHD num servidor de arquivos que já tem o SO.
Basta criar a VM no host apontando o VHD para o caminho da rede do servidor e
pronto. Legal Leandro, mas agora tenho que transferir o VHD para o disco local.
Lembra do Storage Migration? Só escolher o novo local do disco e com a VM no ar
e a movimentação será feita, sem perda de pacotes.

Disk De-Duping – Sabe o Single Storage Instance no
Exchange 2007? Basicamente quando você manda uma mensagem com um anexo de 10MB
para 50 usuários de um mesmo Mailbox Server o Exchange salva somente 1
arquivo de 10MB e todos usuários podem usar a mesma cópia, dando pra salvar
muuuuito espaço em disco. O mesmo será com o Windows Server 8 para arquivos.
Para ficar mais fácil, digamos agora que existe um host com 100 VMs rodando o
Windows Server 2008 R2 e por uma delas você abriu a calculadora. O De-duping
iria escanear todos os arquivos VHD e o seu conteúdo, perceberia que as 100 VMs
possuem o mesmo programa e simplesmente criaria um ponteiro em 99 VMs para um
único arquivo, apagando todos os outros. Seu poder é tão grande que se em uma
das VMs você tiver um update com uma nova versão da calculadora ele traria
somente os bits diferenciais daquele arquivo. E não é tudo, esse recurso suporta
rede também. Portanto se você fosse mover ou copiar os 100 VHDs que descrevi
acima o sistema iria copiar somente 1 VHD com o Windows, além de trazer todos os
diferenciais de cada um evidentemente. Isso responde o porque você não se
preocuparia com o tempo de cópia no cenário que dei sobre Storage Migration.
=)

Offline Data Transfer – Digamos agora que você precise
transferir alguns dados do Server1 para o Server2 que são imensos e que tomarão
muito tempo. Um dos problemas deste cenário que passam as vezes despercebidos é
a utilização de CPU. O ODX garante que o uso de CPU seja o mínimo possível,
podendo aumentar a performance em até 90%. Quer um outro exemplo super legal do
ODX? Tente criar um disco fixo no Hyper-V 3.0. Dependendo do tamanho na versão
atual isso demora muito geralmente, com o ODX o disco é criado em alguns
segundos.

Hyper-V Replica – Ter alta disponibilidade hoje precisa de
storage, cluster, licença do Windows Enterprise ou Datacenter, enfim…. custa
caro! E neste meu exemplo você precisaria fazer isto acontecer sem se preocupar
com os problemas descritos e ainda mais complexo: em redes diferentes. Fácil:
Abra o Hyper-V Manager, escolha a VM desejada, clique com o botão direito e
depois Hyper-V Replica, escolha o host que você precisa replicá-la, o tempo de
replicação (digamos cada 5 minutos, mas a primeira e mais pesada através da
cópia já feita num Flash Drive), e pronto. O sistema começará a replicação
instantânea para o segundo host e caso o primeiro caia o segundo estará
disponível. Tudo isso com 2 hosts com Windows Standard Edition e uma conexão de
rede!

Storage Pools – Quando precisamos agregar disco para
performance, alta disponibilidade, enfim, temos um RAID certo? No gerenciamento
de disco, que será o Storage Spaces, eles serão agora Storage Pools. Este é um
conceito para criar grupos de discos com diferentes finalidades numa interface
simples.

Novo Cluster Shared Volume – Agora suportando replicação
built-in, além de oferecer opção de snapshot de hardware

Rede:

NIC Teaming – Você deve ter tido algum ambiente em que a
rede é crucial para um servidor, seja ele físico ou virtual. Neste cenário
geralmente agregamos 2 ou mais placas de rede em somente uma (NIC Teaming) tendo
balanceamento de carga e alta disponibilidade . O problema é que atualmente só é
possível via hardware e não é suportado pela Microsoft. No Windows Server 8 além
do suporte você conseguirá criar este grupo de placas de rede através do SO,
on the box.

QoS para ambiente virtualizado – Depois de ter criado o NIC
Teaming descrito acima você adicionou várias VMs para usar a mesma placa de
rede, mas precisa de prioridades diferentes, como por exemplo VM1 com Exchange
precisa de 35%, VM2 com DHCP 15% e por aí vái. Com o QoS Bandwidth
Management
isso será feito em 2 ou 3 cliques.

Hyper-V Single Root-I/O Virtualization (SR-IOV) – Quando
criamos uma rede virtual no Hyper-V é criado um switch virtual e toda a
comunicação entre a rede física e a VM passa por esse switch, usando recursos da
maquina física como processamento. A idéia do SR-IOV é de dedicar uma placa de
rede diretamente a VM sem a necessidade de criar o switch na máquina física.
Outra coisa interessante é que será possível fazer um Live Migration de uma VM
com SR-IOV para outro host que não tenha SR-IOV.

Fiber Channel para VMs –  Poderemos também dedicar placas de
fiber channel diretamente à VM tendo como limite 4 placas por VM, além
do suporte de Guest Clustering e Multi-Path IO (MPIO).

Suporte para placas de rede RDMA – O Windows 8 suporta um
novo tipo de placa de rede chamada RDMA para uso de SMB. Essas placas suportam
offloads, tendo como resultado um uso quase zero de CPU. Ah, outro detalhe: a
cópia de dados usando esse tipo de placa pode chegar a 30GB por segundo. Isso
mesmo, não está errado não, 30GB por segundo. Minha nossa! Nem eu acreditei.
30GB porr… !!!

Hyper-V Network Virtualization – O que aconteceria se você
movesse toda sua estrutura virtual para a Cloud em termos de rede, subnet, etc?
Com o Network Virtualization a sua rede também será virtual e não
existirá diferença alguma, mesmo que esse serviço de cloud possua uma outra
empresa com a mesma subnet não existirá nenhum conflito entre elas.

Hyper-V Extensible Switch – Como expliquei acima, pra cada
rede virtual é criado um switch na máquina fisica e nele todo o tráfego entre a
rede e a VM é gerenciado como por exemplo o roteamento, VLAN Filtering, etc.
Atualmente não existe nenhuma forma de usarmos ou esse switch ou até integrá-lo
com outros dispositivos ou softwares. No Hyper-V 3 será possível desenvolver
softwares que possam interagir e adicionar recursos ao switch virtual. 2
empresas sairam na frente e já lançaram produtos que usam essa extensão. Uma
delas é a Cisco com o Nexus 1000V Series, um switch virtual
para Hyper-V e a outra é a 5nine com um firewall virtual para gerenciamento de
nuvem privada. Para saber mais sobre o último, eu fiz um review em inglês no
site do Technet Wiki: 5nine Security Manager http://social.technet.microsoft.com/wiki/contents/articles/a-malware-and-firewall-protection-solution-for-the-private-cloud.aspx

DHCP Guard – Você já teve problemas com máquinas virtuais
distribuindo IP’s pela rede usando DHCP? Com o DHCP Guard será possível impedir
a VM de distribuir IPs usando o serviço de DHCP.

Port ACLs – O Port ACL é um tipo de mini-firewall que poderá
controlar o acesso à rede das VMs

Dynamic Virtual Machine Queue (DVMQ) – O uso de CPU
atualmente para gerenciar a utilização do tráfego de rede é feito através de um
único processador. Com o DVMQ essa sobrecarga poderá ser distribuita através
outros processadores também.

Receive Side Coalescing (RSC)  – Habilita a VM de receber
pacotes em tempo real

Ipsec Task Offload – Utilização de CPU reduzida em VMs
usando IPSec

Suporte a placas de rede Wireless – Hoje dá pra fazer isso,
mas é meio que uma ganbiarra e não funciona tão bem. O suporte a placas de rede
wireless será nativo e sem muitas configurações avançadas.

Private VLANs (PVLAN) – Com suporte de até 4095 VLANs por
host, ótimo para datacenters que hospedam diferente redes de clientes
diversos

IP Address Management UI (IPAM) – Nova interface gráfica
para gerenciamento das configurações IP.

Gerenciamento:

Novo Server Manager – Se você gostou do Server Manager do
Windows Server 2008 provavelmente irá adorar o novo Server Manager do Windows 8.
Está mais fácil, com informações mais úteis e interessantes, além de ser mais
intuitivo também.

Bitlocker em Cluster – Para segurança física de servidores
existe um recurso para criptografar seu disco chamado Bitlocker, mas ao usar uma
estrutura de Cluster com CSVs por exemplo o bitlocker não pode ser usado. Esta
limitação não existe mais no Windows 8, podendo assim habilitar o recurso em
storages e volumes CSVs.

Virtualization-Aware Domain Controllers – Todos que
trabalham com virtualização sabem dos problemas que temos ao virtualizarmos um
DC. Por esse motivo o time de Hyper-V e Active Directory trabalharam juntos para
garantir que o AD tenha total suporte em ambientes com Hyper-V, possibilitando
por exemplo o uso de snapshots.

DC Cloning – Com o resultado deste trabalho entre os times
de AD e Hyper-V outra funcionalidade interessante é a de duplicarmos um DC
através do console do Hyper-V, tornando muito mais fácil a criação de réplicas
do Active Directory.

Server Core com interface gráfica opcional – Outro recurso
muito interessante e muito utilizado no Windows Server 2008 é o Server Core pela
segurança e performance que ele oferece. O problema é que as vezes a interface
por linha de comando se torna difícil. No Windows Server 8 será possível
habilitar a interface gráfica no Server Core, fazer a configuração que você
quiser e depois desabilitá-la. Muito legal.

Resource Metering – Imaginem um datacenter com vários
servidores físicos e virtuais. Seria bem legal se pudéssemos ter um relatório de
cada máquina virtual num determinado host para saber sua utilização de CPU,
memória, disco, acesso a rede (interna e externa). Usando powershell você pode
ter todas essas informações e muito mais de uma VM, um grupo de VM ou vários
hosts com várias VMs.

Full Powershell V3 Support – Pra ficar mais fácil: Tudo que
você faz por interface gráfica dá pra fazer em Powershell. Algumas coisas como
Resource Metering só podem serem feitas por Powershell. Isso se aplica
não só ao Hyper-V, mas para todo o Windows Server.

Novo método para importação de VMs – Pra quem já teve
problemas pra importar VMs que não foram exportadas agora será também possível a
importação somente tendo os arquivos da VM, sem necessitar exportá-las.

Boot via SAN- Se você precisar instalar seu Hyper-V numa
Storage SAN além de possível também conseguiremos dar boot usando
iSCSI ou Fiber Channel.

Grupo de administração local – Atualmente para delegarmos o
controle de acesso no Hyper-V temos que usar um processo envolvendo o
Autorization Manager (Azman) Para mais detalhes, clique aqui. No Hyper-V 3.0 essa delegação será feita através
de grupo local (Hyper-V Administrators).

Nova Memória Dinâmica – Primeiro a Memória dinâmica pode ser
configurada à quente, sem precisar reiniciar a VM. Só isso já é animal. Agora
existem 3 valores a serem configurados: Startup RAM, Minimum RAM e Maximum RAM.
No Windows Server 2008 R2 SP1 só temos Startup e Maximum. Outra coisa
interessante é que a Memória Dinâmica pode ser habilitada durante a criação da
VM.

Suporte a NUMA pela VM – No Hyper-V do Windows Server 2008
R2 existe um recurso em processadores para dar mais performance à ambientes
virtuais. Se habilitarmos o NUMA em um host a diferença de CPU entre a VM e um
host físico pode ser de somente 1%. Agora a NUMA pode ser habilitada na VM, não
só no host.

A conclusão de tudo isso: Fácil: o Windows Server será totalmente preparado
para a Cloud. Essas funcionalidades são justamente tudo que precisamos para
criarmos nossa nuvem, seja ela pública ou privada.

E não é tudo. Se você está usando o Windows Server 8 Developer
Preview
várias coisas já estão sendo alteradas com base nos feedbacks
recebidos como comandos do powershell, a interface metro e outros recursos que
não posso discutir ainda, mas pra te deixar com água na boca vou finalizar
dizendo: Mais coisas virão até a versão final, aguarde (…)

Anúncios

Publicado em outubro 19, 2011, em Hyper-V. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe seu Comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: